terça-feira, 26 de março de 2024

A.453.A lenda do abaeté - Dorival Caymmi


No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca
Ô de areia branca
Ô de areia branca

De manhã cedo
Se uma lavadeira
Vai lavar roupa no Abaeté
Vai se benzendo
Porque diz que ouve
Ouve a zoada
Do batucajé

O pescador
Deixa que seu filhinho
Tome jangada
Faça o que quisé
Mas dá pancada se o seu filhinho brinca
Perto da Lagoa do Abaeté
Do Abaeté

A noite tá que é um dia
Diz alguém olhando a lua
Pela praia as criancinhas
Brincam à luz do luar

O luar prateia tudo
Coqueiral, areia e mar
A gente imagina quanta a lagoa linda é

A lua se enamorando
Nas águas do Abaeté
Credo, Cruz
Te desconjuro
Quem falou de Abaeté
No Abaeté tem uma lagoa escura

A.452.Arco Iris - Moraes Moreira


Quando me vires olhar
naquela janela que dá
pra um tempo que já ficou pra trás,
não entre em outra viajem
e deixa eu curtir a paisagem
não pense em nada demais
Vou indo no trem da vida
e passagem só de ida
pra mim não tem essa de voltar;
todo lugar é bonito
e o meu cominho infinito
aonde vou me encontrar

Meu presente é viver no presente
que saudade não dá futuro
o que hoje pra mim é escuro
amanhã poderá ser a luz
Quero um tempo; onde não haja tempo
sentimentos não são medidas
onde não faz sentido os sentidos
quando só o silêncio traduz

Céu de prazeres e flores
pincel e todas as cores
do arco-íris do amor.

A.451.Arco Iris - Sombrinha/Luiz Carlos da Vila


O teu sorriso é um arco-íris sobre o mar
Onde havia escuridão
O paraíso que eu estava a procurar
A vida me revelou
A realidade onde eu guardo e vou buscar
Os delírios da paixão
Tudo isso me invadiu
E eu quero a permanência do invasor
És os astro que faz sentir
Que eu estou sob a regência do amor
Cheiro de mato na cidade
Um luxo raro
Tu me deste e eu sou
O disparo de um colibri
Que depois de tanto tempo vê a flor
És o solo em que adormeci
Despertei, vi um sorriso multicor

A.450.A banca do distinto - Billy Blanco


Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal

A.449.Apanhei-te cavaquinho - Ernesto Nazareth/Benedito Lacerda


Ainda me lembro
Do meu tempo de crainça
Quando entrava numa dança
Toda cheia de esperança
De chinelinho e de trança
Com Mané e o Zé da França
Nunca tive na lembrança
De rever esse chorinho

E hoje ouvindo nesse choro
A voz do Pinho
Relembrando o bom tempinho
Da mamãe e do maninho
Hoje sou ave sem ninho
Sem família e sem carinho
Mas sou bem feliz ouvindo
O apanhei-te cavaquinho

Hoje cantando o apanhei-te cavaquinho
Fico louca, fico quente
Fico como um passarinho
Sinto vontade de cantar a vida inteira
Ai, essa vida eu levo de qualquer maneira
Ouvindo a flauta, o cavaquinho e o violão
Sinto que meu coração
Tem a cadência de um pandeiro
Esqueço tudo e vou cantando o ano inteiro
Esse chorinho que é muito brasileiro

A.448.Ave cantadeira - Paulinho Pedra Azul


E lá vou eu nessa estrada
desafiando o coração
cantando em prosa ou canção
feito uma ave cantadeira
Cantar, cantar, cantar
viver, viver, viver
criar penas de pássaro no ar
voar, voar, voar
sofrer, sofrer, sofrer
amar, amar, amar você
E lá vou eu nessa agonia
levando a dor em minhas mãos
fugindo igual a um bicho errante
amargura coração
Cantar, cantar, cantar
sofrer, sofrer, sofrer
voar, voar, sobreviver.

A.447.Anjo da terra = Dércio Marques/Paulinho Pedra Azul


Mas olha quanta gente que passa
Sem controlar o sorriso
São meninos da terra
São meninos da lua
Brincando de amor
Ao redor do mundo
Anjos da terra
Beijos de maio
Mães da alegria
Que vem da lua
Desce de um raio
Cheio de estrela
Brilho do sol
Sol virou lua
Brincar na rua
Sou um sonhador.

A.446.Anjo da velha guarda - Moacyr Luz/Aldir Blanc


O terno branco parece prata
E a fita em meu peito diz que eu sou
Daqueles que vão pra Maracangalha
Rever Anália
Eu vou
No vento que leva o chapéu de palha
Também sou de fibra e pau-brasil
O samba é tudo que eu sei
E Momo é o único rei que amei
Sou a sétima corda e passo devagarinho
Com Rodouro no coração
Meu nome em letras de ouro
É parte do tesouro de qualquer agremiação
De cuíca eu manjo
Também vou de banjo
Fiz das avenidas meu salão...
Fidalguia esbanjo
E danço com meu anjo
Eu sou da velha guarda, meu irmão!

A.445.Amigo amado - Alaíde Costa/Vinícius de Moraes


Saberei
Ocultar o meu amor
Como a noite oculta a flor
E enche de aroma
O teu jardim
Saberei
Num silêncio sem fim
Esconder o luar
Deste sonho em que eu vivo
Amigo que eu nunca vou ter
És no entanto apenas meu
Amado que o amor não me deu
Deixa-me sonhar contigo
Amigo que parte de mim
Já que meu não podes ser
Ah! deixa-me sonhar
Como a noturna flor
E em teu jardim
Ir-me morrendo de amor

A.444.Alguém que olhe pra mim - Zé Rodrix/Miguel Paiva


Cego é o amor, dizem por aí
Mas pior é a dor de não vê-la aqui
E eu vivo a buscar essa mulher
Que eu sempre quis
Onde quer que eu vá
Não consigo ver
Só imaginar pra não me esquecer
Desse amor que é razão do meu viver
Eu quero unir nossos nomes
Num só coração
Deixar a minha vida na sua mão
Sei que existe alguém que é feita pra mim
E sendo assim, que seja enfim
Alguém que olhe por mim
Não sou mais que um carneirinho perdido
Arrependido e oferecido
Pra alguém que olhe por mim
Pode não ser uma beleza
Mas tem, com certeza
A chave do meu coração
Diga a ela que é pra não se perder
Não sei viver sem depender
De alguém que olhe por mim
De alguém que olhe por mim.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

A.443.A Bahia te espera - Herivelto Martins


Oh! bahia da magia dos feitiços e da fé
Bahia que tem tantas igrejas
E tem tanta candomblé para te buscar
Nossos saveiros já partiram para o mar iá iá

Eufrasia ladeira do sobradão
Está formando seu candomblé
Velha damasia da ladeira do mamão
Tá preparando o acarajé para te buscar
Nossos saveiros já partiram para o mar
Nossas morenas roupas novas
Vao botar se tu vieres então provar o meu vatapá
Se tu vieres viverás nos meus braços
A festa de iemanjá

Vem vem vem vem em busca da bahia
Cidade da tentação onde meu feitiço impera
Vem se me trazes o teu coração
Vem a bahia te espera
Bahia bahia.

A.442.A dama de vermelho - Pedro Caetano/Alcyr Pires Vermelho


Sob a mesma solidão
Que ontem, meu coração
Viveu, sofreu, quase morreu
No inferno da recordação
No inferno de uma saudade
Da noite da felicidade
Noite que o enganou
Depois, passou
Sinto-o hoje a perguntar
Porque insisto em procurar
A dama que me fez vibrar
Pelo salão
Esta dama que eu amei
Num vestido de tão viva cor
Que no fim vestiu
A minha vida de dor

(coro)

Dança no ar
A ilusão que eu sentia
No teu beijo, mulher fantasia
Vai, sai, some de mim,
Não me torture assim, ilusão
Faz a lua dormir
Manda o sol despertar
Deixa meu coração descansar !

A.441.A jardineira - Benedito Lacerda/Humberto Porto


Ou jardineira.. porque estás tão triste?
o que foi que lhe aconteceu?
Foi a carmélia que caiu do galho..
Deu dois suspiros e depois morreu..
Foi a carmélia que caiu do galho..
Deu dois suspiros e depois morreu..
Vem jardineira, vem meu amor..
Não fique triste que esse mundo é todo seu..
Voce é muito mais bonita
Que a carmélia que morreu!

A.440.A jangada voltou só - Dorival Caymmi


A jangada saiu
Com Chico Ferreira e Bento
A jangada voltou só
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
A jangada voltou só...
Chico era o boi do rancho
Nas festa de Natar
Chico era o boi do rancho
Nas festa de Natá
Não se ensaiava o rancho
Sem com Chico se contá
E agora que não tem Chico
Que graça é que pode ter
Se Chico foi na jangada...
E a jangada voltou só... a jangada saiu
Com Chico Ferreira e Bento
A jangada voltou só
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
A jangada voltou só...
Bento cantando modas
Muita figura fez
Bento tinha bom peito
E pra cantar não tinha vez

As moça de Jaguaripe
Choraram de fazê dó
Seu Bento foi na jangada

A.439.As cores do sol - Pedro Ayres Magalhães


Ao cair da tarde
Penso sempre mais
E a luz que me invade
São as cores naturais
Cada figura
que passa por mim
nem me perturba
e eu fico assim
Longe me leva este silêncio
e o sentir que se altera
são as cores do sol
E eu fico encantada
e eu sinto-me a arder
quando o dia se apaga
fica tanto por fazer

A.438.Autonomia - Cartola


É impossível nesta primavera, eu sei
Impossível, pois longe estarei
Mas pensando em nosso amor, amor sincero
Ai! se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero
Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, não quero.


A.437.Assentamento - Chico Buarque


Quando eu morrer, que me enterrem na
beira do chapadão
-- contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coração
Tôo
(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora

A.436.As dres do mundo - Hyldon


O teu olhar, caiu no meu
A tua boca na minha se perdeu
Foi tão bonito, tão lindo foi
E eu nem me lembro o que veio depois

A tua voz dizendo amor
Foi tão bonito que o tempo até parou
De duas vidas u .. ma se fez
E eu me senti nascendo outra vez

E eu vou esquecer de tudo
Das dores do mundo
Não quero saber quem fui, mas sim o que sou

E vou esquecer de tudo
Das dores do mundo
Só quero saber do seu, do nosso amor






A.435.Arapuca - Solevante/Itamaraca


Armei uma arapuca na beira da estrada
Pra pegar moça bonita e também mulher casada
Armei uma arapuca na beira da estrada
Pra pegar moça bonita e também mulher casada
Quem é, quem é
Que vive neste mundo, sem dinheiro e sem mulher?

A primeira vez que a arapuca desarmou
Eu fui pra lá correndo pra ver o que ela pegou
A primeira vez que a arapuca desarmou
Eu fui pra lá correndo pra ver o que ela pegou
Pegou, pegou...
Uma mulher bonita que meu coração gamou

Armei uma arapuca na beira da estrada
Pra pegar moça bonita e também mulher casada
Armei uma arapuca na beira da estrada
Pra pegar moça bonita e também mulher casada
Quem é, quem é
Que vive neste mundo, sem dinheiro e sem mulher?

A segunda vez que a arapuca desarmou
Eu fui pra lá correndo pra ver o que ela pegou
A segunda vez que a arapuca desarmou
Eu fui pra lá correndo pra ver o que ela pegou
Pegou, pegou...
Um baita de um negrão que meu coração gelou

A.434.Ao longe o mar - Pedro Ayres Magalhães


Porto calmo de abrigo
De um futuro melhor(maior)
Porventura(Ainda não está) perdido
No presente temor
Não faz muito sentido
Não esperar (Já não espero) o melhor
Vem da nevoa saindo
A promessa anterior
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei, Parada a olhar
Sim, eu canto a vontade
Canto o teu despertar
E abraçando a saudade
Canto o tempo a passar
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei, Parada a olhar
Quando avistei ao longe o mar
Sem querer, deixei-me ali ficar